É uma doença ocular que atinge a camada mais superficial do olho, a córnea, e causa uma deformidade progressiva, onde ela vai encurvando e afinando cada vez mais, adquirindo assim o formato de um cone, daí o nome da doença.
As causas não são totalmente esclarecidas, mas que se sabe ter um componente genético envolvido, no qual a córnea se apresenta com uma menor resistência, pela menor ligação entre suas fibras de colágeno. Além de fatores ambientais envolvidos, principalmente o hábito crônico de coçar os olhos, se apresentam como gatilhos para o início da doença.
Por isso, o risco de desenvolver ceratocone é maior nos pacientes alérgicos, que sentem muita coceira nos olhos. Ele também está presente nos portadores da síndrome de Down ou com alterações oculares congênitas, como a catarata congênita e a esclerótica azul (branco do olho), por exemplo.
Essa doença atinge cerca de 150 mil pessoas por ano no Brasil, dentre elas, principalmente adolescentes e adultos jovens e, em geral, costuma atingir os dois olhos de maneira assimétrica, ou seja, o distúrbio pode afetar mais um olho que o outro. Ela tem um caráter progressivo e irreversível, que pode levar a uma importante dificuldade visual.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado através de exame oftalmológico e pode ser confirmado através de um exame de Topografia ou Tomografia Corneana. Esses exames fazem uma análise das superfícies da córnea e expressam as informações através de um gráfico numérico e de cores. Com isto, além de auxiliar muito no diagnóstico, é possível acompanhar a evolução, forma, posição e tamanho do ceratocone.
Sintomas
No início da doença os sintomas costumam ser dificuldade visual, fotofobia (sensibilidade à luz), dor de cabeça, baixa da visão (principalmente noturna) e troca frequente das lentes dos óculos, em virtude do aumento da miopia e do astigmatismo.
Com a contínua progressão do ceratocone, essa dificuldade visual aumenta, em geral pelo aumento do astigmatismo (gerando uma imagem borrada e distorcida), e os óculos passam a não mais oferecer uma visão satisfatória. Neste estágio, as lentes de contato (do tipo rígidas) são melhores alternativas para o reestabelecimento da visão. Caso o ceratocone progrida ainda mais, alternativas cirúrgicas devem ser consideradas.
Tratamento
Um avanço importante no tratamento do ceratocone é o Crosslinking, um procedimento que tem por objetivo fortalecer as moléculas de colágeno da córnea para evitar que ela continue abaulando. Basicamente, a técnica consiste em raspar a superfície da córnea, para depois aplicar um colírio à base de vitamina B2 (riboflavina) e, em seguida, um feixe de luz ultravioleta.
O procedimento é rápido, realizado sob anestesia local, não exige internação hospitalar e dá bons resultados na imensa maioria dos casos.
Existem ainda opções cirúrgicas de tratamento, como os anéis intracorneais ou intraestromais, que são utilizados para regularizar a curvatura da córnea, quando os óculos e as lentes de contato não produzem mais o efeito desejado. E em casos mais graves, o transplante de córnea, que consiste na substituição da córnea comprometida por uma córnea saudável de um doador. Hoje em dia, o transplante só é realizado em casos extremos, em que todas as outras abordagens terapêuticas não surtiram efeito, porque embora possa melhorar a visão, o transplante não cura a doença, não elimina a possibilidade de uso de óculos ou lente de contato e ainda, existe a rara possibilidade de rejeição.
Por fim, percebemos a importância de um reconhecimento precoce dessa doença. Um diagnóstico precoce e a instalação de tratamento nas fases inicias da doença, evita grandes perdas visuais e proporciona uma vida normal, muitas vezes, sem necessidade de cirurgias. Ninguém perde a visão se o ceratocone for convenientemente tratado, por isso, não descuide da sua saúde visual, procure seu médico oftalmologista regularmente.